Bom e aí lá fomos nós. Papai e eu. Eu prestava atenção à música, olhava pras pessoas, ia vendo os rostos conhecidos e sorria, sorria muito. Acho que nunca sorri tanto em minha vida. Parecia que minha boca tava indo de orelha a orelha. Mas eu precisava sorrir ainda mais para conseguir liberar a alegria que eu sentia.
Quando a música chegou no refrão eu comecei a querer desabar e chorar. Não tinha nada contra chorar. Eu tinha decidido viver a entrada como ela viesse. Se eu sentisse vontade de chorar, choraria, se quisesse sorrir, sorriria. Só lembrava pra não segurar o choro e ficar com aquela cara torta de quando tentamos segurar as lágrimas (risos). E aí veio meu próprio modo de entrar. Apareceu ali na hora. Toda vez que eu estava quase chorando eu respirava fundo, mas fundo mesmo, com a boca aberta. Subia o peito respirando fundo. E aí o choro ia embora. Eu podia sorri mais e me emocionava, respirava. Tive medo de minhas pernas tremerem, mas não tremeram. Eu respirava assim e me sentia segura no alto dos meus 11 cm de salto e vestido justo.
Bem no meio do corredor eu vi uma amiga se debulhando em lágrimas. Aí quase desabei. Olhei pro banco da frente, outra amiga chorava. Olhei pro outro lado, a madrinha do noivo se acabava de chorar. Aí olhei pra frente. Pronto, foi quando o coração disparou. O noivo estava lá, falando com a mãe dele. Ela se despediu dele com um beijinho.
Desse momento em diante eu parei de reparar na decoração, nas pessoas, na música, Só pensava no noivo. O padre veio falar com ele e eu imaginava o que ele dizia e dentro de mim pensava: deve estar dizendo que vamos nos casar, que quando eu chegar lá na frente, nos tornaremos marido e mulher. Pensei rapidamente na nossa história e na benção enorme que é ter o Rômulo na minha vida. E não chorei. Sorri mais ainda. Sorri muito.
O noivo veio pro corredor. Chegamos perto dele. O noivo cumprimentou meu pai. Eu olhava pra ele, atenta. Não sei, parecia uma primeira vez ao vê-lo. Ou uma última. Parecia que não o via há muito tempo. Sentia que precisava olhar muito bem para ele, como fazemos quando alguém que amamos vai viajar por muito tempo ou quando estamos nos apaixonando. Reparei muito no rosto dele nessa hora. Me emocionei de novo porque meu pai falou coisas fofas pro Rômulo. Meu pai é durão, fechado. Mas foi tão fofo nessa hora.
Aí eu me despedi do meu pai. Tinha combinado dele me dar meu beijinho. Foi a última coisa que falei a ele antes dele sair do hotel pra igreja. Ele não esqueceu.
Ele também falou uma coisa linda para mim. Eu me segurei. Ele subiu pro altar e eu me virei pro noivo. Nos olhamos e pela primeira vez senti o frio na barriga.
Demos os braços e subimos ao altar. Só nessa hora lembrei da música. Será que ia acabar antes da hora? Nada! Foi até o fim, repetindo o refrão lindo e imponente.
Nos posicionamos em frente ao altar e nos demos as mãos. Ia começar a cerimônia e eu ia rever meus queridos padrinhos, pais e sogros.
Continua....